17 de agosto de 2010

Conto 3.

A tamanha escuridão que nos rodeava deixava a impressão de um ambiente sem fim. Se olhássemos para o que estava acima das nossas cabeças veríamos um imenso céu negro, sozinho, sem estrelas e sem luar.

E nós permanecíamos ali, um de frente para o outro, onde estava o único facho de luz existente.

Tinha a sensação de estar dentro de uma pequenina caixa furada no centro onde a claridade surgia, porém, ao mesmo tempo, sentia como se estivesse livre para ir e fazer o que quisesse. Estranho e prazeroso.

E nós ali, nos olhando...

A ideia de liberdade predominou minha mente. Então, seguindo a vontade do corpo, tirei toda a roupa e deitei, sentindo com as costas nuas aquele chão gelado.

A escuridão, o frio e aquele olhar concentrado analisando cada detalhe do meu corpo despido.

Eu conseguia ouvir tambores e violinos. Eu sorria. Sorria e sentia meu corpo eletrizado.

Olhei aquelas mãos pintadas de preto e vermelho e desejei que ele me maquiasse, que me sujasse com aquelas cores... Então eu pedi.

E ele veio sujando meus olhos de preto e lambuzando toda minha boca com aquela tinta vermelho sangue, me excitando mais a cada segundo que passava.

Ele escorregou suas mãos pelas laterais do meu corpo branco apertando forte a minha cintura, desceu devagar o rosto, beijando meu colo, meu pescoço, meu queixo, para então unir sua boca a minha. Nos beijamos no prazer do pecado.

A ultima imagem que tenho foi ele se deitando sobre mim e a luz se esvaindo...

E a negritude predominou sem fim.

Um comentário:

  1. Adorei a estética utilizada, nos deixa ter uma visão mais aprofundada da insanidade do desejo, adorei, nina.

    ResponderExcluir

O passado e o presente